EMPRÉSTIMOS LINGUÍSTICOS: prejuízo ou benefício para a língua?
A língua pertence ao povo que a
fala e obedecem as mesmas regras evolutivas ou regressivas. Numa sociedade
dividida em classes como a brasileira, pode-se encontrar muitas variedades no modo
de falar a língua. Essa estratificação social, somada ao baixo nível de
desenvolvimento socioeconômico, torna-se o campo perfeito para a expansão
econômica e cultural das nações desenvolvidas. O Brasil, com sua dependência
científica, torna-se alvo de influências estrangeiras em seu idioma. Como
sabemos, a língua é uma grande aliada do poder econômico. Dessa forma, ao
importarmos tecnologia, automaticamente importamos sua terminologia que, em
alguns casos, não sofre adaptação ou por não dispor de termos adequados ou
traduções satisfatórios em português. É o caso da informática, onde a tradução
ou adaptação de muitos termos inviabilizaria o uso dessa tecnologia tão
necessária para o desenvolvimento socioeconômico da nação.
Com isso, o Português vem
sofrendo acentuada influência estrangeira, principalmente do inglês, que
juntamente com a exportação de tecnologia, procuram transmitir sua cultura. Ao
importarmos capital tecnológico, importamos também a terminologia que através
dos grandes meios de comunicação de massa (jornais, TVs e a redes sociais - internet) são difundidos e
legitimados pelo usuário da língua.
Os empréstimos linguísticos
trazem benefícios para a língua importadora, quando esta possui um forte e
eficiente mecanismo de proteção a língua nativa, como a tradução, a adaptação
gráfica e o desenvolvimento de um sentido técnico em palavras de uso comum.
Esse dirigismo cultural torna-se difícil de ser posto em prática, pois estamos
nos referindo à língua comum, coloquial ou popular, usada principalmente pela
camada mais vulnerável da sociedade. O que se pode fazer é lutar para que as maravilhosas invenções recebam, no momento
da concepção, nomenclatura em várias línguas.
O desmedido empréstimo de termos
estrangeiros pode provocar sérios danos à cultura do país importador, pois
altera a formação cultural do cidadão, uma vez que esses empréstimos chegam
carregados de ideologias, muitas vezes endereçadas especificamente a expandir o
domínio da metrópole exportadora além das fronteiras econômicas, afetando a
formação cultural e provocando danos a consciência individual ou coletiva do
cidadão, apresentando eficaz e moderna forma de colonialismo, sem regras, sem
qualquer forma de represália, atacando o ponto mais vulnerável do ser humano: a
formação psicológica do cidadão que recebe uma educação específica para
reconhecer no seu explorador a imagem de benfeitor, passando a acreditar que o bom, o
belo e o perfeito só poderão ser expressos por uma terminologia emprestada
do país que o domina tecnológica e economicamente. Assim, em um processo lento
e quase imperceptível ao falante comum, a língua importadora vai perdendo a
originalidade, cedendo cada vez mais espaço para os estrangeirismos.
Não se pode simplesmente negar os
empréstimos, mas indubitavelmente, torna-se necessário desenvolver mecanismos
que sejam capazes de preservar a originalidade da língua sem levar o país a
obscuridade do isolamento econômico e tecnológico.
O trabalho de associações como a
ISO (Organização Internacional de Normatização) são de grande importância para
a preservação de idiomas, formando e fornecendo bancos de dados sobre variadas
terminologias. No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) não
tem atuado com empenho no trabalho de proteção da Língua Portuguesa. Mesmo
entre a comunidade lusitana não há, nesse sentido, um entendimento e os acordos
firmados não vão além de superficiais alterações ortográficas.
Enquanto se espera por uma mútua
cooperação entre os países componentes da sociedade lusitana, o que se vê é um
crescimento no empréstimo de estrangeirismos, principalmente nesse início de
século, onde as ciências se desenvolvem com extrema velocidade e os países
lusófonos se mostram cada vez mais dependentes dessa tecnologia.
Nixson
Machado
Janeiro
de 2013.