quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O ensino de “português”



O ensino de “português”


                    Durante décadas, o centro de maior atenção, no que diz respeito ao ensino da Língua Portuguesa na escola brasileira, privilegiou a estrutura metalinguística, com ênfase na memorização de regras da Gramática Normativa, com pouca ou nenhuma eficiência para a provisão do domínio do uso corrente da Língua.

                    Como é sabido, não havia preocupação em valorizar ou mesmo considerar o fato de que estavam tentando ensinar o que já se sabe, uma vez que é um equívoco pretender ensinar a língua nativa às pessoas que desde muito cedo dominam o idioma.

                    O momento histórico que vivenciamos vislumbra um horizonte que estampa prováveis mudanças no tratamento do ensino da Língua Portuguesa. Tal perspectiva decorre da evolução porque passa a educação em seu conjunto estrutural, bem como, o avanço dos estudos a cerca da língua e da linguagem, a partir da Linguística Moderna, da Sociolinguística, entre outros, uma vez que têm possibilitado ao professor de Língua Portuguesa refletir sobre a língua e seu papel social, passando a observar e perceber com mais evidência as inúmeras diferenças existentes entre um falar e outro.

                    Partindo desse pressuposto, a prática do ensino da Língua Portuguesa fundamentada na NGB (Normativa Gramática Brasileira) e suas regras, em si e por si não deve ser vista com referência do “bom falar”. Então, o ensino de língua tende a pré-rogar uma acentuada preocupação, não só com regras e contrarregras, mas também com os usos e a funcionalidade da língua e da linguagem, do discurso e das condições de produção que envolve cada falante quer coletiva, quer individualmente em cada situação comunicativa real ou ocasional, na qual o cidadão age e interage, por meio da linguagem oral ou escrita.

                    Partindo desse pressuposto, devemos louvar a contribuição dos estudos linguísticos para o ensino da Língua Portuguesa como ferramenta fundamental na construção de cidadãos que sejam capazes de buscar a liberdade de expressão e pensamento, desenvolver o senso crítico e a criatividade, aprimorar a solidariedade e desempenhar uma ação positiva na sociedade como tema real, não utópico, uma vez que a escola tem a oportunidade de passar a valorizar significativamente a bagagem cultural do aluno, porque o considera importante, enquanto falante nativo, e parte fundamental no processo de ensino-aprendizagem da norma padrão e por ser o dominante natural do objeto de estudo – a Língua Portuguesa.

                    Dessa forma, o conjunto de mudanças que se apresenta requer um novo perfil do professor de Língua Portuguesa. Este passa a portar o status de mediador entre o aluno-cidadão, usuário da língua e ao que convencionalmente chamamos de Norma Padrão da língua em estudo. Assim o professor facilitador, deve procurar interagir com o aluno e com a sociedade através da linguagem, estabelecendo compromissos dialógicos observáveis no momento em que cada cidadão se compromete e é comprometido com o desenvolvimento do pensar, do falar, do agir, do transformar e do aprender, valorizando suas raízes, desmistificando a língua e o estudo da linguagem, visualizando-a como aliada no aprimoramento social e político do grupo social em que vive.

Fevereiro de 20136.

Nixson Machado


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