O ensino de “português”
Durante
décadas, o centro de maior atenção, no que diz respeito ao ensino da Língua
Portuguesa na escola brasileira, privilegiou a estrutura metalinguística, com
ênfase na memorização de regras da Gramática Normativa, com pouca ou nenhuma
eficiência para a provisão do domínio do uso corrente da Língua.
Como
é sabido, não havia preocupação em valorizar ou mesmo considerar o fato de que
estavam tentando ensinar o que já se sabe, uma vez que é um equívoco pretender
ensinar a língua nativa às pessoas que desde muito cedo dominam o idioma.
O
momento histórico que vivenciamos vislumbra um horizonte que estampa prováveis
mudanças no tratamento do ensino da Língua Portuguesa. Tal perspectiva decorre
da evolução porque passa a educação em seu conjunto estrutural, bem como, o
avanço dos estudos a cerca da língua e da linguagem, a partir da Linguística
Moderna, da Sociolinguística, entre outros, uma vez que têm possibilitado ao professor
de Língua Portuguesa refletir sobre a língua e seu papel social, passando a
observar e perceber com mais evidência as inúmeras diferenças existentes entre
um falar e outro.
Partindo
desse pressuposto, a prática do ensino da Língua Portuguesa fundamentada na NGB
(Normativa Gramática Brasileira) e suas regras, em si e por si não deve ser
vista com referência do “bom falar”.
Então, o ensino de língua tende a pré-rogar uma acentuada preocupação, não só
com regras e contrarregras, mas também com os usos e a funcionalidade da língua
e da linguagem, do discurso e das condições de produção que envolve cada
falante quer coletiva, quer individualmente em cada situação comunicativa real
ou ocasional, na qual o cidadão age e interage, por meio da linguagem oral ou
escrita.
Partindo
desse pressuposto, devemos louvar a contribuição dos estudos linguísticos para
o ensino da Língua Portuguesa como ferramenta fundamental na construção de
cidadãos que sejam capazes de buscar a liberdade de expressão e pensamento, desenvolver
o senso crítico e a criatividade, aprimorar a solidariedade e desempenhar uma
ação positiva na sociedade como tema real, não utópico, uma vez que a escola
tem a oportunidade de passar a valorizar significativamente a bagagem cultural
do aluno, porque o considera importante, enquanto falante nativo, e parte
fundamental no processo de ensino-aprendizagem da norma padrão e por ser o
dominante natural do objeto de estudo – a Língua Portuguesa.
Dessa
forma, o conjunto de mudanças que se apresenta requer um novo perfil do
professor de Língua Portuguesa. Este passa a portar o status de mediador entre o aluno-cidadão, usuário da língua e ao
que convencionalmente chamamos de Norma Padrão da língua em estudo. Assim o
professor facilitador, deve procurar
interagir com o aluno e com a sociedade através da linguagem, estabelecendo
compromissos dialógicos observáveis no momento em que cada cidadão se
compromete e é comprometido com o desenvolvimento do pensar, do falar, do agir,
do transformar e do aprender, valorizando suas raízes, desmistificando a língua
e o estudo da linguagem, visualizando-a como aliada no aprimoramento social e
político do grupo social em que vive.
Fevereiro de 20136.
Nixson Machado
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