quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Empréstimos linguísticos: prejuízo ou benefício pada a língua

   

EMPRÉSTIMOS LINGUÍSTICOS: prejuízo ou benefício para a língua?
A língua pertence ao povo que a fala e obedecem as mesmas regras evolutivas ou regressivas. Numa sociedade dividida em classes como a brasileira, pode-se encontrar muitas variedades no modo de falar a língua. Essa estratificação social, somada ao baixo nível de desenvolvimento socioeconômico, torna-se o campo perfeito para a expansão econômica e cultural das nações desenvolvidas. O Brasil, com sua dependência científica, torna-se alvo de influências estrangeiras em seu idioma. Como sabemos, a língua é uma grande aliada do poder econômico. Dessa forma, ao importarmos tecnologia, automaticamente importamos sua terminologia que, em alguns casos, não sofre adaptação ou por não dispor de termos adequados ou traduções satisfatórios em português. É o caso da informática, onde a tradução ou adaptação de muitos termos inviabilizaria o uso dessa tecnologia tão necessária para o desenvolvimento socioeconômico da nação.

Com isso, o Português vem sofrendo acentuada influência estrangeira, principalmente do inglês, que juntamente com a exportação de tecnologia, procuram transmitir sua cultura. Ao importarmos capital tecnológico, importamos também a terminologia que através dos grandes meios de comunicação de massa (jornais, TVs e a redes sociais - internet) são difundidos e legitimados pelo usuário da língua.

Os empréstimos linguísticos trazem benefícios para a língua importadora, quando esta possui um forte e eficiente mecanismo de proteção a língua nativa, como a tradução, a adaptação gráfica e o desenvolvimento de um sentido técnico em palavras de uso comum. Esse dirigismo cultural torna-se difícil de ser posto em prática, pois estamos nos referindo à língua comum, coloquial ou popular, usada principalmente pela camada mais vulnerável da sociedade. O que se pode fazer é lutar para que as maravilhosas invenções recebam, no momento da concepção, nomenclatura em várias línguas.

O desmedido empréstimo de termos estrangeiros pode provocar sérios danos à cultura do país importador, pois altera a formação cultural do cidadão, uma vez que esses empréstimos chegam carregados de ideologias, muitas vezes endereçadas especificamente a expandir o domínio da metrópole exportadora além das fronteiras econômicas, afetando a formação cultural e provocando danos a consciência individual ou coletiva do cidadão, apresentando eficaz e moderna forma de colonialismo, sem regras, sem qualquer forma de represália, atacando o ponto mais vulnerável do ser humano: a formação psicológica do cidadão que recebe uma educação específica para reconhecer no seu explorador a imagem de benfeitor, passando a acreditar que o bom, o belo e o perfeito só poderão ser expressos por uma terminologia emprestada do país que o domina tecnológica e economicamente. Assim, em um processo lento e quase imperceptível ao falante comum, a língua importadora vai perdendo a originalidade, cedendo cada vez mais espaço para os estrangeirismos.

Não se pode simplesmente negar os empréstimos, mas indubitavelmente, torna-se necessário desenvolver mecanismos que sejam capazes de preservar a originalidade da língua sem levar o país a obscuridade do isolamento econômico e tecnológico.

O trabalho de associações como a ISO (Organização Internacional de Normatização) são de grande importância para a preservação de idiomas, formando e fornecendo bancos de dados sobre variadas terminologias. No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) não tem atuado com empenho no trabalho de proteção da Língua Portuguesa. Mesmo entre a comunidade lusitana não há, nesse sentido, um entendimento e os acordos firmados não vão além de superficiais alterações ortográficas.

Enquanto se espera por uma mútua cooperação entre os países componentes da sociedade lusitana, o que se vê é um crescimento no empréstimo de estrangeirismos, principalmente nesse início de século, onde as ciências se desenvolvem com extrema velocidade e os países lusófonos se mostram cada vez mais dependentes dessa tecnologia.

Nixson Machado

Janeiro de 2013.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O ensino de “português”



O ensino de “português”


                    Durante décadas, o centro de maior atenção, no que diz respeito ao ensino da Língua Portuguesa na escola brasileira, privilegiou a estrutura metalinguística, com ênfase na memorização de regras da Gramática Normativa, com pouca ou nenhuma eficiência para a provisão do domínio do uso corrente da Língua.

                    Como é sabido, não havia preocupação em valorizar ou mesmo considerar o fato de que estavam tentando ensinar o que já se sabe, uma vez que é um equívoco pretender ensinar a língua nativa às pessoas que desde muito cedo dominam o idioma.

                    O momento histórico que vivenciamos vislumbra um horizonte que estampa prováveis mudanças no tratamento do ensino da Língua Portuguesa. Tal perspectiva decorre da evolução porque passa a educação em seu conjunto estrutural, bem como, o avanço dos estudos a cerca da língua e da linguagem, a partir da Linguística Moderna, da Sociolinguística, entre outros, uma vez que têm possibilitado ao professor de Língua Portuguesa refletir sobre a língua e seu papel social, passando a observar e perceber com mais evidência as inúmeras diferenças existentes entre um falar e outro.

                    Partindo desse pressuposto, a prática do ensino da Língua Portuguesa fundamentada na NGB (Normativa Gramática Brasileira) e suas regras, em si e por si não deve ser vista com referência do “bom falar”. Então, o ensino de língua tende a pré-rogar uma acentuada preocupação, não só com regras e contrarregras, mas também com os usos e a funcionalidade da língua e da linguagem, do discurso e das condições de produção que envolve cada falante quer coletiva, quer individualmente em cada situação comunicativa real ou ocasional, na qual o cidadão age e interage, por meio da linguagem oral ou escrita.

                    Partindo desse pressuposto, devemos louvar a contribuição dos estudos linguísticos para o ensino da Língua Portuguesa como ferramenta fundamental na construção de cidadãos que sejam capazes de buscar a liberdade de expressão e pensamento, desenvolver o senso crítico e a criatividade, aprimorar a solidariedade e desempenhar uma ação positiva na sociedade como tema real, não utópico, uma vez que a escola tem a oportunidade de passar a valorizar significativamente a bagagem cultural do aluno, porque o considera importante, enquanto falante nativo, e parte fundamental no processo de ensino-aprendizagem da norma padrão e por ser o dominante natural do objeto de estudo – a Língua Portuguesa.

                    Dessa forma, o conjunto de mudanças que se apresenta requer um novo perfil do professor de Língua Portuguesa. Este passa a portar o status de mediador entre o aluno-cidadão, usuário da língua e ao que convencionalmente chamamos de Norma Padrão da língua em estudo. Assim o professor facilitador, deve procurar interagir com o aluno e com a sociedade através da linguagem, estabelecendo compromissos dialógicos observáveis no momento em que cada cidadão se compromete e é comprometido com o desenvolvimento do pensar, do falar, do agir, do transformar e do aprender, valorizando suas raízes, desmistificando a língua e o estudo da linguagem, visualizando-a como aliada no aprimoramento social e político do grupo social em que vive.

Fevereiro de 20136.

Nixson Machado


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ser professor

      
Ser Professor
              Desde os primórdios da humanidade estamos fadados ao idealismo; tanto quanto ao fatalismo. Tal qual narra a mitologia grega, o professor, acima de tudo, assemelha-se à Pandora, ao abrir a caixa surpresa que recebeu, na qual restou presa ao seu interior somente e apenas a esperança. Como ser humano que é, almeja uma perfeição que advêm da experiência, o que pressupõe o exercício constante de um dado saber.
              Segundo a alquimia reproduzida pelo tempo e mestres que nos introduziram no caminho do saber, percebemos que algumas qualidades são fundamentais para o exercício da docência.
              Assim, o Professor tal qual uma Águia, jamais deverá abrir mão de seu papel de observador, porém conservando, acima de tudo, a compreensão dos Cães, que uma vez aprendido o caminho ou situação não volta a repeti-la negativamente.
              Advindo das florestas intactas, observa-se o exemplo do Macaco que sabe, acima de tudo, motivar sua plateia a fim de alcançar seus objetivos.
              O aperfeiçoamento, a mudança de hábitos e as novas ideias seriam aprendidas através da observação atenta do Castor, que não desanima nunca em recomeçar sua represa que ruiu e foi por água abaixo.
              Finalmente, deve, a qualquer tempo, prevalecer no ideal do professor a sensibilidade das flores e dormideiras que enfeitam a floresta, visto que são belas, sensíveis e cônscias de suas obrigações, sem se preocupar se o tempo é favorável ou desfavorável.
 Nixson machado
10/10/2012