A Escola e a Nova Sociedade
Diante da nova conjuntura político-social
que ora se apresenta, a escola terá função primordial na preparação do perfil do
cidadão, moderno, antenado com a revolução tecnológica.
A velha escola pública, focada
numa estrutura preconceituosa, precisa modernizar-se ou então será esmagada pela
tecnologia, em especial a da informação, que exige competência e desempenho
como requisitos básicos para sobrevivência política e econômica da
independência e da soberania.
Nesse sentido, temos que fazer
uma estrutura educacional calcada em critérios qualitativos, ágeis e práticos
como é o novo cidadão. A nova escola terá que admitir que a democracia chegue
também às salas de aula, para que, de lá, possa expandir e alcançar plenamente a
sociedade, participando do processo de formação das novas opiniões e, por
conseguinte, dessa nova mentalidade social e política.
Dessa maneira, precisamos de
projetos político-educacionais oriundos de discussões abertas e democráticas,
que conte com a efetiva participação da sociedade organizada e de professores
autônomos, valorizados e conscientes de que seu papel vai além do ato mecânico
de repassar conteúdos prontos. É fundamental considerar o aluno, valorizar suas
ideias, compreender seus anseios e inquietações, acima de tudo, respeitar suas
diferenças, pois somente através dessa postura a escola poderá prepará-los
verdadeiramente para atuar como cidadãos plenos.
Não basta que transmitamos
todo o cabedal de conteúdos didáticos que a escola julga importantes e
fundamentais, capazes de transformar revolucionariamente o mundo, sem nos
preocuparmos com os aspectos afetivos, sociais e culturais que envolvem o
processo educativo como um todo. Por exemplo, a ética e a cidadania são
aspectos fundamentais que a escola prefere tratar de forma superficial, porque
no final do ano o que vale mesmo são as estatísticas, ou seja, o percentual de
promovidos que formam a escola quantitativa.
No entanto, a escola prefere se
omitir e promover em enfadonhas reuniões de conselhos de classe, alunos que o
fracassado processo avaliativo reprovou, negando-lhes o direito de ter as mesmas condições
de lutar pelo sucesso profissional. Então, ano após ano, nos deparamos com
velhas práticas revestidas de novos discursos, silenciando bocas que sequer
balbuciaram os primeiros “grunhidos”. Esse tipo de agressão social ocorre a
todo o momento em que a escola prefere excluir aqueles que representam
“problemas”, acovardando e fugindo a sua responsabilidade, dando as costas, sem
enfrentar a situação-problema. E o que se colhe dessa atitude? O fracasso
escolar; o descrédito da instituição pública; a marginalização da sociedade.
Não basta que a escola ensine apenas o domínio da
leitura da palavra escrita. Não basta apena aprender aritmética, conhecer a
geografia do mundo, reviver a história da humanidade. É imprescindível que o
aluno aprenda a “pensar”; que o aluno aprenda a se relacionar com o meio
ambiente e com a sociedade. É pensando que se aprende a refletir sobre si,
sobre o outro e sobre seu papel no mundo. Refletindo, agindo e interagindo é
que o aluno poderá construir seu próprio universo, respeitando e sendo
respeitado.
Aqui aparece o papel do professor
e da escola como mediadores, como facilitadores que possam instrumentaliza e
interagir com o aluno através de diferentes formas de linguagem, estabelecendo
um compromisso dialógico com a sociedade, preocupando com a funcionalidade dos
conteúdos e das condições de produção do conhecimento para tornar possível um
construir cidadãos com liberdade de expressão, senso crítico, criatividade,
solidariedade e ação verdadeiramente positiva na construção da cidadania.
Ariquemes,
28/12/1999.
Nixson
Machado