ESCOLA LEITURA
“A
atividade fundamental desenvolvida pela escola na formação do aluno é, sem
dúvida, a leitura.” (Luiz Carlos Cagliari, Alfabetização e
Linguística, 1985). Tomando por principio o pressuposto cagliariano, a escola
deve concentrar suas melhores ações no desenvolvimento da leitura, pois todo
aluno, deve, antes, ser um bom leitor, somente assim terá pleno sucesso em seus
empreendimentos educacionais.
Exemplificando, tomemos a
Matemática, disciplina na qual boa parte dos alunos apresenta dificuldades de
assimilação. Logo, pensa-se que os alunos não têm capacidade para realizar
operações aritméticas. Se pensarmos bem, o problema, sem dúvida, deve estar ligado à leitura, porque muitas vezes, os alunos não recebem a devida
orientação para fazer, com segurança, a leitura da Matemática. No entanto, os
profissionais da área dizem que ensinar a ler é tarefa do colega de Língua
Portuguesa, este, por sua vez, refuta afirmando que ensinar ao aluno ler
números, sentenças e operações e cálculos não é tarefa sua, pois Matemática não tem nada a ver com Português, são
disciplinas distintas.
Diante desse impasse, os alunos
continuam sem compreender os problemas aritméticos e tirando notas baixas, não
porque são péssimos em cálculos ou não sabem resolver operações, mas porque não conseguem ler os problemas
propostos.
Escola e leitura são inseparáveis, um todo comum, não dá para
afirmar que o letramento seja função deste ou daquele profissional, desta ou daquela
disciplina. Toda escola deve estar envolvida ou continuaremos colhendo
fracassos.
Como processo de descoberta, a
leitura pode ser minuciosa, superficial ou apenas um passatempo. Mas acima de
tudo, é uma atividade individual, ao passo que duas pessoas farão leituras
diferentes de um mesmo texto, mesmo se tratando de um texto altamente didático
ou científico e que não ofereça muitas aberturas.
Ao contrario da escrita, que é um
ato de exteriorizar sentimentos, emoções ou informações, a leitura é um momento
de interiorizar, adquirir conhecimentos, de internalização, de reflexão. As
pessoas que não têm a prática de leituras são subnutridas de conhecimentos.
Algumas podem ter se desenvolvido econômica e financeiramente, pois a vivência
é muito importante, mesmo assim, tão têm uma cultura sólida e geral.
Como a leitura é “decifração e decodificação”, o leitor
deve decifrar, decodificar, compreender e refletir para compreender todas as
implicações que o texto oferece para, então, formular seu próprio ponto de
vista a respeito do que leu. Leitura sem decifração, decodificação, reflexão e
interpretação é campo estéril, infértil, sem grande interesse. Leitura que não
provoca transformação é nada, é vazia.
A leitura, como extensão da
escola, deve acompanhar o aluno por todo o tempo, precisa ser estimulada, haja
vista, que é o veículo transmissor dos conhecimentos necessários para a
formação de uma cultura sólida e geral.
Ariquemes,
29/04/1997. Nixson Machado
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