quarta-feira, 16 de maio de 2012


ESCOLA LEITURA
“A atividade fundamental desenvolvida pela escola na formação do aluno é, sem dúvida, a leitura.” (Luiz Carlos Cagliari, Alfabetização e Linguística, 1985). Tomando por principio o pressuposto cagliariano, a escola deve concentrar suas melhores ações no desenvolvimento da leitura, pois todo aluno, deve, antes, ser um bom leitor, somente assim terá pleno sucesso em seus empreendimentos educacionais.
Exemplificando, tomemos a Matemática, disciplina na qual boa parte dos alunos apresenta dificuldades de assimilação. Logo, pensa-se que os alunos não têm capacidade para realizar operações aritméticas. Se pensarmos bem, o problema, sem dúvida, deve estar ligado à leitura, porque muitas vezes, os alunos não recebem a devida orientação para fazer, com segurança, a leitura da Matemática. No entanto, os profissionais da área dizem que ensinar a ler é tarefa do colega de Língua Portuguesa, este, por sua vez, refuta afirmando que ensinar ao aluno ler números, sentenças e operações e cálculos não é tarefa sua, pois Matemática não tem nada a ver com Português, são disciplinas distintas.
Diante desse impasse, os alunos continuam sem compreender os problemas aritméticos e tirando notas baixas, não porque são péssimos em cálculos ou não sabem resolver operações, mas porque não conseguem ler os problemas propostos. 
Escola e leitura são inseparáveis, um todo comum, não dá para afirmar que o letramento seja função deste ou daquele profissional, desta ou daquela disciplina. Toda escola deve estar envolvida ou continuaremos colhendo fracassos.
Como processo de descoberta, a leitura pode ser minuciosa, superficial ou apenas um passatempo. Mas acima de tudo, é uma atividade individual, ao passo que duas pessoas farão leituras diferentes de um mesmo texto, mesmo se tratando de um texto altamente didático ou científico e que não ofereça muitas aberturas.
Ao contrario da escrita, que é um ato de exteriorizar sentimentos, emoções ou informações, a leitura é um momento de interiorizar, adquirir conhecimentos, de internalização, de reflexão. As pessoas que não têm a prática de leituras são subnutridas de conhecimentos. Algumas podem ter se desenvolvido econômica e financeiramente, pois a vivência é muito importante, mesmo assim, tão têm uma cultura sólida e geral.
Como a leitura é “decifração e decodificação”, o leitor deve decifrar, decodificar, compreender e refletir para compreender todas as implicações que o texto oferece para, então, formular seu próprio ponto de vista a respeito do que leu. Leitura sem decifração, decodificação, reflexão e interpretação é campo estéril, infértil, sem grande interesse. Leitura que não provoca transformação é nada, é vazia.
A leitura, como extensão da escola, deve acompanhar o aluno por todo o tempo, precisa ser estimulada, haja vista, que é o veículo transmissor dos conhecimentos necessários para a formação de uma cultura sólida e geral.
Ariquemes, 29/04/1997. Nixson Machado

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