sábado, 23 de junho de 2012

A Escola e a Nova Sociedade


A Escola e a Nova Sociedade
Diante da nova conjuntura político-social que ora se apresenta, a escola terá função primordial na preparação do perfil do cidadão, moderno, antenado com a revolução tecnológica.
A velha escola pública, focada numa estrutura preconceituosa, precisa modernizar-se ou então será esmagada pela tecnologia, em especial a da informação, que exige competência e desempenho como requisitos básicos para sobrevivência política e econômica da independência e da soberania.
Nesse sentido, temos que fazer uma estrutura educacional calcada em critérios qualitativos, ágeis e práticos como é o novo cidadão. A nova escola terá que admitir que a democracia chegue também às salas de aula, para que, de lá, possa expandir e alcançar plenamente a sociedade, participando do processo de formação das novas opiniões e, por conseguinte, dessa nova mentalidade social e política.
Dessa maneira, precisamos de projetos político-educacionais oriundos de discussões abertas e democráticas, que conte com a efetiva participação da sociedade organizada e de professores autônomos, valorizados e conscientes de que seu papel vai além do ato mecânico de repassar conteúdos prontos. É fundamental considerar o aluno, valorizar suas ideias, compreender seus anseios e inquietações, acima de tudo, respeitar suas diferenças, pois somente através dessa postura a escola poderá prepará-los verdadeiramente para atuar como cidadãos plenos.
Não basta que transmitamos todo o cabedal de conteúdos didáticos que a escola julga importantes e fundamentais, capazes de transformar revolucionariamente o mundo, sem nos preocuparmos com os aspectos afetivos, sociais e culturais que envolvem o processo educativo como um todo. Por exemplo, a ética e a cidadania são aspectos fundamentais que a escola prefere tratar de forma superficial, porque no final do ano o que vale mesmo são as estatísticas, ou seja, o percentual de promovidos que formam a escola quantitativa.
No entanto, a escola prefere se omitir e promover em enfadonhas reuniões de conselhos de classe, alunos que o fracassado processo avaliativo reprovou, negando-lhes o direito de ter as mesmas condições de lutar pelo sucesso profissional. Então, ano após ano, nos deparamos com velhas práticas revestidas de novos discursos, silenciando bocas que sequer balbuciaram os primeiros “grunhidos”. Esse tipo de agressão social ocorre a todo o momento em que a escola prefere excluir aqueles que representam “problemas”, acovardando e fugindo a sua responsabilidade, dando as costas, sem enfrentar a situação-problema. E o que se colhe dessa atitude? O fracasso escolar; o descrédito da instituição pública; a marginalização da sociedade.
Não basta  que a escola ensine apenas o domínio da leitura da palavra escrita. Não basta apena aprender aritmética, conhecer a geografia do mundo, reviver a história da humanidade. É imprescindível que o aluno aprenda a “pensar”; que o aluno aprenda a se relacionar com o meio ambiente e com a sociedade. É pensando que se aprende a refletir sobre si, sobre o outro e sobre seu papel no mundo. Refletindo, agindo e interagindo é que o aluno poderá construir seu próprio universo, respeitando e sendo respeitado.
Aqui aparece o papel do professor e da escola como mediadores, como facilitadores que possam instrumentaliza e interagir com o aluno através de diferentes formas de linguagem, estabelecendo um compromisso dialógico com a sociedade, preocupando com a funcionalidade dos conteúdos e das condições de produção do conhecimento para tornar possível um construir cidadãos com liberdade de expressão, senso crítico, criatividade, solidariedade e ação verdadeiramente positiva na construção da cidadania.
Ariquemes, 28/12/1999.
Nixson Machado









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